sexta-feira, 1 de junho de 2012

Petit


Dentro do cesto, na varanda,
Sob o morno sol das quatro,
Dorme, leve Petit.
Dorme leve.

Não te acorda a serra que canta lá fora
Não te acorda os cachorros que latem
Não te acorda o passarinho,
Ou, quem sabe mais tarde?
Quando a noite é fria e seus olhos são só duas pupilas dilatadas.

Leve Petit,
que peso pode ter as patas de um gato?

terça-feira, 13 de março de 2012

Erva cidreira

Ontem, à noite, antes de dormir, meu benzinho trouxe-me uma caneca de chá de erva cidreira. Logo, estava envolvida num sono maravilhoso de entrega. Aquele sono que abraça, acomoda e traz a sensação que a cama não é só cama; é um pedaço de nuvem no céu. Uma nuvem fofa, nunca atravessada por qualquer peso. Lá estava eu, entregue. Descansando a caneta na mesa dura, tão oposta ao céu, tão oposta à nuvem. E no último pensamento, daquele que a gente se recorda fracamente, antes do sono levar, estive pensando na boa energia da erva cidreira. E pensei no seu ramo áspero, tão antagônico à sua delicadeza química, na sua beleza simples (folhas compridas e curvadas como toda gente comprida), no seu cheiro cítrico, que me envolve sempre quando estou lá na varanda, deitada na rede, olhando para minha horta gentil. E é esse cheiro também que me acalma e embala, como colo de mãe. E de minha mãe também lembro porque ela sempre vinha com o tal chazinho em momentos da minha muito conhecida ansiedade. Lá na minha casa natal havia um tufo grande dela. E aqui, na minha nova casinha, seu ramo tem umas 5 ou 6 folhinhas (compridas e curvadas como toda gente comprida).
E, neste levar do sono, deixando minha mão vazia de caneta, meu peito foi se enchendo da leveza que só as cidreiras têm.

[Fernanda]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

sobre os gatos, finalmente.















Eu nunca tive um gato.
Peludo, misterioso, elegante e de olhos verdes.
Eu nunca pensei em nomes de gatos
e nem devo tê-los desenhado quando criança.

Muito provavelmente, um dia terei um gato.
Peludo, misterioso, elegante e de olhos verdes
E seu nome será Petit, bem clichê
E de vez em quando, o chamarei Petit Gateau, só para irritá-lo.

Há um complô dos gatos, eu sei.
Sei que percebem pessoas insensíveis a sua presença
e seduzem-na.
[Aqui estou eu, escrevendo sobre eles].

Gatos. Ontem eu comprei um livro sobre eles.
E faz uma semana, sonhei com um.
Peludo, misterioso, elegante e de olhos verdes.
E, agora, vou pedir um para meu benzinho.

Ele se chamará Petit
Ele me arranhará
Eu fingirei ser indiferente a ele
Ele se enroscará nos meus pés...

e me convencerá de que sou eu,
que sou dele.


P.S.: a gravura é do artista Theóphile Alexandre Steinlen (1859-1923), que adorava gatos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ah se minha voz pudesse e se violão eu soubesse...


Sabe aquelas músicas pra lá de boas que a gente escuta e pensa: putz grila (como dizia minha vó) por que eu não sei tocar violão e fazer aquela voz de baixo "pom pom pom pom/ pom pom"?
Eu seria muito serelepe pimpona (como já dizia uma amiga paulistana)
Ainda tem essa fotinha mui linda dos Mutantes pra completar...


Hey boy (Mutantes)

"He he he hey boy
O teu cabelo tá bonito hey boy
Tua caranga até assusta hey boy (Tchu aa uu)
Vai passear na rua Augusta tá
He he he hey boy
Teu pai já deu tua mesada hey boy
A tua mina tá gamada hey boy (Tchu aa uu)
Mas você nunca fez na na na
No pequeno mundo do teu carro
O tempo é tão pequeno
Teu blusão importado (úúúa)
Tua pinta de abonado (tuas idéias modernas)
He hey boy
Mas teu cabelo tá bonito hey boy
Tua caranga até assusta hey boy (Tchu aa uu)
Vai passear na rua Augusta tá
A menina e as pernas
Vão aparecer
Nos passos ritmados (úúúa)
No iê iê iê bem dançado (Da cuba libre gelada)
Hey boy
Viver por viver
Hey boy
Viver por viver
Hey boy
Viver por viver"

nota pessoal: não era pra lá de bom esse negocinho de pom pom pom pom/pom pom?

sobre o que sonha uma menina?
e onde os sonhos começam
e onde os sonhos terminam?


[Fernanda]


* imagem retirada do site Feed Your Soul
Créditos: Feed Your Soul
Nan Lawson

sábado, 8 de outubro de 2011

as margaridinhas no sol

as margaridinhas olham pra mim enquanto masco chiclés
e elas são tão lindas...
num mesmo pé de margaridas brancas nasceram quatro lilases.
acho que elas estão apaixonadinhas e andam se pintando.

ou seria eu?

[Fernanda]

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

downloadeando...


descobri letuce através da música ballet da centopéia - coisa mais linda... e acabei baixando todas as outras músicas da banda.
Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos: casal que dá nome, cor, vida, rima, harmonia, sintonia e um monte de coisa pra lá de boa à Letuce.
Aqui tem a interpretação de Acontecimentos da Marina no Som Brasil.
segue aí a dica!



sexta-feira, 1 de julho de 2011

para a moça dos versos

moça pequena dos olhos morenos
não vá
que a mesa posta
e a vida não gosta de esperar

moça morena dos olhos pequenos
não vá
que o tempo fresco
e o sol tem refresco pra dar

moça morena das pernas trêmulas de esperar
que o frio passe
e que as flores renasçam ao acordar

não vê que o sol já nasceu e se pôs
e que as horas passam?
moça morena dos versos pequenos
não vá.

[Fernanda]
hoje, eu quero uma ba-la-di-nha (no velho sentido)
que seja doce, que seja leve
que tire a dor nas costas e descarregue
e, se não for pedir demais, 
eu quero uma baladinha
que tenha as palavras carinho e beijinhos sem ter fim
que é pra acabar com esse negócio de você longe de mim (...)


[Fernanda]
outra homenagem carinhosa à  boa e sempre nova bossa nova.


* arte retirada do site Feed Your Soul
   Artista: Mara Girling

domingo, 17 de abril de 2011

28 de julho de 1996

[foi o dia que eu aprendi a andar de bicicleta].
uma criança de doze anos de idade, tão pequena quanto se pode ser, sobre aquele aparato maravilhoso da invenção humana: a bicicleta.
a minha era do meu pai: grande, pesada, de ferro. Se eu pudesse ultrapassar a misteriosa lei do equilíbrio daquela massa gigantesca eu poderia pilotar qualquer outra.
e ela (essa mesma) foi a minha companheira de tardes nos terrenos irregulares da chácara. foi uma moto e foi um cavalo galopante.
talvez por isso, aquela pequena criatura de doze anos, gravasse na memória o dia, o mês, o ano daquele fabuloso andar [ eu e ela: um bicho de duas rodas].
minha primeira bicicleta de verdade foi do meu pai.
a minha segunda foi do meu irmão.
a minha terceira foi do meu irmão.
e a minha quarta é minha mesmo.
eu ando sobre ela na minha deliciosa cidade plana e ainda penso nesse mistério e, às vezes, ainda sou aquela pequena de doze anos sobre um cavalo galopante.

[Fernanda]

* foto retirada do blog da Maria Filó, e que, na verdade, foi o gatilho dessa lembrança boa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

sobre um dueto

ela que o segue no tom, na feição,
que segue de cavaquinho o seu violão
que olha pra ele sem olhar,
os ombros desnudos dela
no olhar desnudo dele

que espaço há em dois metros?

[Fernanda]

- 23:19


uma homenagem a nossa bossa e ao nosso samba.

sambinha do amor maior

se eu soubesse tocar violão,
faria um sambinha pra você
daqueles que ninguém nunca esquece
daqueles que só o amor escreve
e vira marchinha, pula geração,
entra na roda, embala namoro
e se sopra flauta, vira choro.

se eu pudesse (sim, se eu pu-des-se) tocar violão
meu samba pra você
seria o dos mais bonitos
seria samba do amor maior,
pra não plagiar o chico.

e se chico visse ia querer cantar
no gênero feminino,
como convém meu amor escutar.

e eu diria sim, chico, canta por favor
chama a molecada, a batucada, a feijoada,
'que a viola é minha
e o samba é pro meu amor.


[Fernanda]


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Joãozinho e Maria

Run, baby, run
Run, baby, run
while the birds
didn't eat the bread crumbs (...)


[Fernanda]

sábado, 11 de dezembro de 2010

cheirei alguns livros novos até uma descoberta: Caligrafias de Adriana Lisboa. agora a noite estava linda e pela janela via o vento sem preconceitos tocar um velho pano sujo no varal. acordei hoje com o Pasquale me perguntando qual era a minha palavra preferida e ouvindo a palavra preferida dos outros. paciência - aleatório - condor - verdade - sexo - foram algumas das que Pasquale e eu ouvimos as pessoas responderem. a da minha mãe é abraço. a minha é saudade. à tarde, fui a livraria e descobri Caligrafias e, na página 41, Saudade. Achei, por bem, levá-lo para casa.
[Fernanda]