sexta-feira, 28 de maio de 2010


a chave

encontrei-a ao abrir a gaveta
era dourada, antiga, bonita
- parecida com a que vi na mão da Alice
[a do país das maravilhas]

não era minha
mas acho também que não era de ninguém

e, no meio de tantas coisas sem sentido
ela parecia a única com sentido

o sentido de pertencer a uma porta de um lugar qualquer
[que não era aquele lugar]

e eu imaginei de onde aquela chave - bonita, dourada, antiga,
com um pequeno formato de coração [juro]- viera

e eu quis carregá-la comigo
dar-lhe um nome bonito
chamá-la minha e colocá-la no meio de outras relíquias

eu teria feito isso (se a visse triste)
mas ela brilhava dourada, bonita, antiga
no seu fabuloso destino de chave - o de pertencer.

[Fernanda - 27/05/2010 18:37)

2 comentários:

Carol Freitas disse...

Tudo sempre tão sereno e belo =)

Marcio Nicolau disse...

Belo mesmo. Por que não produzir mais?

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