quarta-feira, 21 de setembro de 2011

downloadeando...


descobri letuce através da música ballet da centopéia - coisa mais linda... e acabei baixando todas as outras músicas da banda.
Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos: casal que dá nome, cor, vida, rima, harmonia, sintonia e um monte de coisa pra lá de boa à Letuce.
Aqui tem a interpretação de Acontecimentos da Marina no Som Brasil.
segue aí a dica!



sexta-feira, 1 de julho de 2011

para a moça dos versos

moça pequena dos olhos morenos
não vá
que a mesa posta
e a vida não gosta de esperar

moça morena dos olhos pequenos
não vá
que o tempo fresco
e o sol tem refresco pra dar

moça morena das pernas trêmulas de esperar
que o frio passe
e que as flores renasçam ao acordar

não vê que o sol já nasceu e se pôs
e que as horas passam?
moça morena dos versos pequenos
não vá.

[Fernanda]
hoje, eu quero uma ba-la-di-nha (no velho sentido)
que seja doce, que seja leve
que tire a dor nas costas e descarregue
e, se não for pedir demais, 
eu quero uma baladinha
que tenha as palavras carinho e beijinhos sem ter fim
que é pra acabar com esse negócio de você longe de mim (...)


[Fernanda]
outra homenagem carinhosa à  boa e sempre nova bossa nova.


* arte retirada do site Feed Your Soul
   Artista: Mara Girling

domingo, 17 de abril de 2011

28 de julho de 1996

[foi o dia que eu aprendi a andar de bicicleta].
uma criança de doze anos de idade, tão pequena quanto se pode ser, sobre aquele aparato maravilhoso da invenção humana: a bicicleta.
a minha era do meu pai: grande, pesada, de ferro. Se eu pudesse ultrapassar a misteriosa lei do equilíbrio daquela massa gigantesca eu poderia pilotar qualquer outra.
e ela (essa mesma) foi a minha companheira de tardes nos terrenos irregulares da chácara. foi uma moto e foi um cavalo galopante.
talvez por isso, aquela pequena criatura de doze anos, gravasse na memória o dia, o mês, o ano daquele fabuloso andar [ eu e ela: um bicho de duas rodas].
minha primeira bicicleta de verdade foi do meu pai.
a minha segunda foi do meu irmão.
a minha terceira foi do meu irmão.
e a minha quarta é minha mesmo.
eu ando sobre ela na minha deliciosa cidade plana e ainda penso nesse mistério e, às vezes, ainda sou aquela pequena de doze anos sobre um cavalo galopante.

[Fernanda]

* foto retirada do blog da Maria Filó, e que, na verdade, foi o gatilho dessa lembrança boa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

sobre um dueto

ela que o segue no tom, na feição,
que segue de cavaquinho o seu violão
que olha pra ele sem olhar,
os ombros desnudos dela
no olhar desnudo dele

que espaço há em dois metros?

[Fernanda]

- 23:19


uma homenagem a nossa bossa e ao nosso samba.

sambinha do amor maior

se eu soubesse tocar violão,
faria um sambinha pra você
daqueles que ninguém nunca esquece
daqueles que só o amor escreve
e vira marchinha, pula geração,
entra na roda, embala namoro
e se sopra flauta, vira choro.

se eu pudesse (sim, se eu pu-des-se) tocar violão
meu samba pra você
seria o dos mais bonitos
seria samba do amor maior,
pra não plagiar o chico.

e se chico visse ia querer cantar
no gênero feminino,
como convém meu amor escutar.

e eu diria sim, chico, canta por favor
chama a molecada, a batucada, a feijoada,
'que a viola é minha
e o samba é pro meu amor.


[Fernanda]


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Joãozinho e Maria

Run, baby, run
Run, baby, run
while the birds
didn't eat the bread crumbs (...)


[Fernanda]

sábado, 11 de dezembro de 2010

cheirei alguns livros novos até uma descoberta: Caligrafias de Adriana Lisboa. agora a noite estava linda e pela janela via o vento sem preconceitos tocar um velho pano sujo no varal. acordei hoje com o Pasquale me perguntando qual era a minha palavra preferida e ouvindo a palavra preferida dos outros. paciência - aleatório - condor - verdade - sexo - foram algumas das que Pasquale e eu ouvimos as pessoas responderem. a da minha mãe é abraço. a minha é saudade. à tarde, fui a livraria e descobri Caligrafias e, na página 41, Saudade. Achei, por bem, levá-lo para casa.
[Fernanda]

sábado, 2 de outubro de 2010

meu benzinho

meu benzinho cuida de mim como uma criança,
que eu sou.

meu benzinho me traz flores com joaninha, de quebra.
porque ele também me traz sorte sem querer.

meu benzinho tem a cor daqueles por quem o sol se apaixona
e é o sol quem colore a barba dele com tons avermelhados.

meu benzinho tem os olhos rasgados
e eu digo que são como olhos de baleia que guardam os mistérios do mar.

o meu benzinho cuida de mim e quer me guardar
e ele sempre me diz que me protege do mal do mundo.

[ele, que conhece tanto do mundo]

meu benzinho que Deus me deu,
veja que eu te protejo também.
veja que eu só lhe quero bem

e releve a minha "brabeza",
é que sou arredia como sabiá que só andou presa.

e meu benzinho-mais-benzinho-do-mundo-inteiro...
foi agorinha que fui lembrar
que eu bicava a mão morena que tentava me soltar.


[Fernanda]



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

um pouco do que penso sobre:

amizade
é querer estar junto pra fazer contas de como anda a vida. e, separados, pensam como seria lhe contar a vida. e, mais separados, pensam em como estaria a tal vida. e, flutuantes, ausentes num espaço sem fim, choram a saudade por causa do rio sem a ponte. mas, se um dia ligados, como corações de novelo de lã, falarão do livro lido ontem, de como seus cachorros são especiais, falarão da mãe e do pai, falarão da clarice, do chico, da mallu, dos infernais.
até briguem, quem sabe?
tudo como se o tempo sem a ponte fosse ontem.

[Fernanda]

domingo, 1 de agosto de 2010

la vie [2]

amelie, a menina da caixinha dos seis sonhos inoxidáveis, lembra? e a caixinha cresceu um pouco porque os sonhos aumentaram. ela que diminuiu um pouco para também caber na caixinha. agora, aí está ela. olhando a estrada como quem espera. é que no meio do caminho o peito dela se encheu de ar e não saiu num suspiro. ele está lá, deixando o pequeno peito inflado, como de uma passarinha. e ela está esperando pra ver se ele sai na forma de suspiro. e as pernas pequenas com saudades do sol reclamam impacientes. as mãozinhas cruzadas sobre o peito repousam pacientes. até que o suspiro sai. e volta. sai. e volta. sai. e volta. - peito de passarinha, meu Deus? - peito de passarinha, amelie! e foi, então, as asas, o céu, a malinha e os sonhos.

[Fernanda]

sexta-feira, 23 de julho de 2010

um sonho quase vagabundo

Com doze anos, ela tinha uma máquina de escrever, uma bicicleta pesada do pai e uma imaginação que só Deus sabe.
a máquina era uma nave espacial de onde saiu seu primeiro romance mirabolante.
a bicicleta, um cavalo galopante.
e a menina aí do lado era ela e seu futuro brilhante.

[Fernanda]

domingo, 4 de julho de 2010

ela, pequenina demais para se esconder?
um filhotinho ainda, de asas peladas, de bico aberto,
barulhento, agitado, num ninho quentinho tão fora do mundo...
lá no alto de uma árvore densa
de onde ninguém a distingue no meio de tantos cantos roucos.

[...]pobre filhotinho esfomeado de olhos rasgados pousados no céu [...]

sexta-feira, 28 de maio de 2010


a chave

encontrei-a ao abrir a gaveta
era dourada, antiga, bonita
- parecida com a que vi na mão da Alice
[a do país das maravilhas]

não era minha
mas acho também que não era de ninguém

e, no meio de tantas coisas sem sentido
ela parecia a única com sentido

o sentido de pertencer a uma porta de um lugar qualquer
[que não era aquele lugar]

e eu imaginei de onde aquela chave - bonita, dourada, antiga,
com um pequeno formato de coração [juro]- viera

e eu quis carregá-la comigo
dar-lhe um nome bonito
chamá-la minha e colocá-la no meio de outras relíquias

eu teria feito isso (se a visse triste)
mas ela brilhava dourada, bonita, antiga
no seu fabuloso destino de chave - o de pertencer.

[Fernanda - 27/05/2010 18:37)