quinta-feira, 27 de setembro de 2012

canção de "mimar"

moreno meu,
do mês de outubro,
moreno meu,
tem sabor do mundo...
moreno meu,
que não se entrega jamais
e não tem dor
que o faça olhar pra trás...
moreno meu,
tem sabor de outubro,
da primavera que o vento traz,
moreno meu,
essa paz, meu mundo
moreno meu...

moreno meu, meu ai, ai de amor
é teu.

[Fernanda]

terça-feira, 28 de agosto de 2012

uma outra saudade: minha máquina de escrever


É uma pena não me lembrar da data em que ganhei minha máquina de escrever. É mesmo uma pena não tê-la dado um aniversário.  E gostaria disso porque escrever, sentindo as letras serem, assim, cravadas no papel, me faz pensar no sentimento bom de lançá-las, como flechas que se agarram ao alvo. Sim, lançá-las, golpear a pauta e poder tocar a marca do outro lado. Coisas assim perdidas com esse teclado macio, de tecnologia macia e de tela líquida. Não há aqui um desapego do moderno. Não. Sinto só não poder resgatar o dia exato em que minha mão pode tocá-la pela primeira vez – minha máquina vermelha, de segunda mão, cuidadosamente vindo à garupa do meu pai, em bolsa preta tão perfeitamente encaixada a ela - à minha, à minha, à minha máquina de escrever. Vinda de outras mãos que a deixou livre para as minhas. Eu escrevi meu nome: primeiro preto, depois vermelho . Queria eu sair datilografando como exímia datilografista, mas meus dedos lentos só sabiam namorar cada teclinha daquela, que por, muitas vezes, engoliram os pobres arrancando-lhes a cutícula. E eu soube, com minha máquina, que libertar as palavras e cravá-las no papel era difícil e, por vezes, até dolorido, mas nada poderia me fazer mais leve do que soltá-las assim, reverberando no seu estalar ansioso, um amor, uma nostalgia, um trabalho bem feito, ou mesmo só um nome, ora vermelho, ora preto.

[Fernanda]


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sinto saudade. Sinto, simplesmente. Sinto como vertigem ou doença crônica. Como enxaqueca. Sinto saudade. E não tem motivo certo, não tem lembrança certa. Eu só sinto: palpitando no peito, fechando a garganta, como quando o ônibus vai deixando longe os braços dos que acenam. E sinto-na como quem parte de um porto a outro todos os dias, deixando-os para trás: os dias. Acho que sinto saudade dos dias. Dias que me somam sempre que maio chega. 










[Fernanda]

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Filipe Catto


Paixão é palavra das boas. Enche a boca no dizer e, curta, deixa no som final a textura boa do xis seguido da maravilha de um a o til. E paixão alheia gera paixão na gente também, um contágio, uma ressonância. Filipe Catto, rapaz de voz de contratenor – seja lá o que isso de fato significa – me cheira transbordamento, enigma, pulso, pulso, pulso: paixão. Segue-se levado na voz, no ritmo, nos gestos de um poeta de letras firmes e vindas não se sabe de onde. Onde letras e músicas assim se fazem? E como nascem os poetas-músicos que dão às palavras vestes das mais refinadas?

Quer conhecer? Clique aqui.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

é preciso silenciar muitas vezes e outras:
quando, juntas, as palavras inundam a boca
e, abraçadas, tecem um grande nó.
é que no silêncio elas se apertam
e ao invés de canto, som ou prosa
viram água e sal na face do poeta.

[Fernanda]

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Petit


Dentro do cesto, na varanda,
Sob o morno sol das quatro,
Dorme, leve Petit.
Dorme leve.

Não te acorda a serra que canta lá fora
Não te acorda os cachorros que latem
Não te acorda o passarinho,
Ou, quem sabe mais tarde?
Quando a noite é fria e seus olhos são só duas pupilas dilatadas.

Leve Petit,
que peso pode ter as patas de um gato?

terça-feira, 13 de março de 2012

Erva cidreira

Ontem, à noite, antes de dormir, meu benzinho trouxe-me uma caneca de chá de erva cidreira. Logo, estava envolvida num sono maravilhoso de entrega. Aquele sono que abraça, acomoda e traz a sensação que a cama não é só cama; é um pedaço de nuvem no céu. Uma nuvem fofa, nunca atravessada por qualquer peso. Lá estava eu, entregue. Descansando a caneta na mesa dura, tão oposta ao céu, tão oposta à nuvem. E no último pensamento, daquele que a gente se recorda fracamente, antes do sono levar, estive pensando na boa energia da erva cidreira. E pensei no seu ramo áspero, tão antagônico à sua delicadeza química, na sua beleza simples (folhas compridas e curvadas como toda gente comprida), no seu cheiro cítrico, que me envolve sempre quando estou lá na varanda, deitada na rede, olhando para minha horta gentil. E é esse cheiro também que me acalma e embala, como colo de mãe. E de minha mãe também lembro porque ela sempre vinha com o tal chazinho em momentos da minha muito conhecida ansiedade. Lá na minha casa natal havia um tufo grande dela. E aqui, na minha nova casinha, seu ramo tem umas 5 ou 6 folhinhas (compridas e curvadas como toda gente comprida).
E, neste levar do sono, deixando minha mão vazia de caneta, meu peito foi se enchendo da leveza que só as cidreiras têm.

[Fernanda]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

sobre os gatos, finalmente.















Eu nunca tive um gato.
Peludo, misterioso, elegante e de olhos verdes.
Eu nunca pensei em nomes de gatos
e nem devo tê-los desenhado quando criança.

Muito provavelmente, um dia terei um gato.
Peludo, misterioso, elegante e de olhos verdes
E seu nome será Petit, bem clichê
E de vez em quando, o chamarei Petit Gateau, só para irritá-lo.

Há um complô dos gatos, eu sei.
Sei que percebem pessoas insensíveis a sua presença
e seduzem-na.
[Aqui estou eu, escrevendo sobre eles].

Gatos. Ontem eu comprei um livro sobre eles.
E faz uma semana, sonhei com um.
Peludo, misterioso, elegante e de olhos verdes.
E, agora, vou pedir um para meu benzinho.

Ele se chamará Petit
Ele me arranhará
Eu fingirei ser indiferente a ele
Ele se enroscará nos meus pés...

e me convencerá de que sou eu,
que sou dele.


P.S.: a gravura é do artista Theóphile Alexandre Steinlen (1859-1923), que adorava gatos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ah se minha voz pudesse e se violão eu soubesse...


Sabe aquelas músicas pra lá de boas que a gente escuta e pensa: putz grila (como dizia minha vó) por que eu não sei tocar violão e fazer aquela voz de baixo "pom pom pom pom/ pom pom"?
Eu seria muito serelepe pimpona (como já dizia uma amiga paulistana)
Ainda tem essa fotinha mui linda dos Mutantes pra completar...


Hey boy (Mutantes)

"He he he hey boy
O teu cabelo tá bonito hey boy
Tua caranga até assusta hey boy (Tchu aa uu)
Vai passear na rua Augusta tá
He he he hey boy
Teu pai já deu tua mesada hey boy
A tua mina tá gamada hey boy (Tchu aa uu)
Mas você nunca fez na na na
No pequeno mundo do teu carro
O tempo é tão pequeno
Teu blusão importado (úúúa)
Tua pinta de abonado (tuas idéias modernas)
He hey boy
Mas teu cabelo tá bonito hey boy
Tua caranga até assusta hey boy (Tchu aa uu)
Vai passear na rua Augusta tá
A menina e as pernas
Vão aparecer
Nos passos ritmados (úúúa)
No iê iê iê bem dançado (Da cuba libre gelada)
Hey boy
Viver por viver
Hey boy
Viver por viver
Hey boy
Viver por viver"

nota pessoal: não era pra lá de bom esse negocinho de pom pom pom pom/pom pom?

sobre o que sonha uma menina?
e onde os sonhos começam
e onde os sonhos terminam?


[Fernanda]


* imagem retirada do site Feed Your Soul
Créditos: Feed Your Soul
Nan Lawson

sábado, 8 de outubro de 2011

as margaridinhas no sol

as margaridinhas olham pra mim enquanto masco chiclés
e elas são tão lindas...
num mesmo pé de margaridas brancas nasceram quatro lilases.
acho que elas estão apaixonadinhas e andam se pintando.

ou seria eu?

[Fernanda]

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

downloadeando...


descobri letuce através da música ballet da centopéia - coisa mais linda... e acabei baixando todas as outras músicas da banda.
Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos: casal que dá nome, cor, vida, rima, harmonia, sintonia e um monte de coisa pra lá de boa à Letuce.
Aqui tem a interpretação de Acontecimentos da Marina no Som Brasil.
segue aí a dica!



sexta-feira, 1 de julho de 2011

para a moça dos versos

moça pequena dos olhos morenos
não vá
que a mesa tá posta
e a vida não gosta de esperar

moça morena dos olhos pequenos
não vá
que o tempo tá fresco
e o sol tem refresco pra dar

moça morena das pernas trêmulas de esperar
que o frio passe
e que as flores renasçam ao acordar

não vê que o sol já nasceu e se pôs
e que as horas passam?
moça morena dos versos pequenos
não vá.

[Fernanda]
hoje, eu quero uma ba-la-di-nha (no velho sentido)
que seja doce, que seja leve
que tire a dor nas costas e descarregue
e, se não for pedir demais, 
eu quero uma baladinha
que tenha as palavras carinho e beijinhos sem ter fim
que é pra acabar com esse negócio de você longe de mim (...)


[Fernanda]
outra homenagem carinhosa à  boa e sempre nova bossa nova.


* arte retirada do site Feed Your Soul
   Artista: Mara Girling