domingo, 7 de dezembro de 2008

Lições de uma caneta


A exatidão da caneta e o diâmetro certo da sua escrita me constrangem.
Então, eu fui ter com ela sobre como ser constante em qualquer papel.
Ela: E o que há de tão interessante nisso?
Eu: Eu poderia começar dizendo: establilidade.
Ela: Mesmice. Você quis dizer mesmice.
Eu: Não, caneta. Eu quis dizer estabilidade.
Ela: Isso depende de quem me guia. Nunca viu traços trêmulos?
Eu: Ok, caneta. Posso te chamar de Bic?
Ela: Não. Gosto de Caneta. Essa coisa de sobrenome é muito americanizada.
Eu: Tah. Caneta.
Ela: Melhor.
Eu: Então, caneta, você anda por aí ficando vermelha, preta, roxa ou é sempre assim: azul?
Ela: Não se muda a cor de uma caneta.
Eu: Ahh. Constância.
Ela: Mas você nunca me viu falhar? E o que me diz da sua última prova de química bicolor? rs
Eu: Ok, Caneta. Eu jah te vi falhar. Mas por acaso, você anda por aí querendo ser papel, janela, mudando o que você é a cada segundo?
Ela: E você nunca me viu prendendo seu cabelo, servindo de apoio estratégico de tripé...?
Eu: Hum.
Ela: Hum o quê?
Eu: Você vai me rebater todas. Sua tinta não acaba?
Ela: Não se engane, Fer, a de todas nós acaba.
Eu: Você me chamou de quê? É mesmo uma caneta?
[Fernanda]

2 comentários:

Darla disse...

"Então, eu fui ter com ela sobre como ser constante em qualquer papel."

Nunca imaginei que poderia aprender tanto com a caneta...

Daniele de Castro disse...

Nossa cara! Caramba! Tô boquiaberta até agora! Eu sabia que você é amiga, engraçada, muitíssimo inteligente, diferente, como nunca vi igual, mas hoje descobri mais uma das suas sublimes qualidades, o que a torna uma unanimedade... Um ser artista, com coração de poeta e alma sempre livre para inclíveis descobertas...simplesmente Nanda, incomparável a ti não há.
Bjão!
PS: Lindo seu blog!!