amizade
é querer estar junto pra fazer contas de como anda a vida. e, separados, pensam como seria lhe contar a vida. e, mais separados, pensam em como estaria a tal vida. e, flutuantes, ausentes num espaço sem fim, choram a saudade por causa do rio sem a ponte. mas, se um dia ligados, como corações de novelo de lã, falarão do livro lido ontem, de como seus cachorros são especiais, falarão da mãe e do pai, falarão da clarice, do chico, da mallu, dos infernais.
até briguem, quem sabe?
tudo como se o tempo sem a ponte fosse ontem.
[Fernanda]
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
la vie [2]
amelie, a menina da caixinha dos seis sonhos inoxidáveis, lembra? e a caixinha cresceu um pouco porque os sonhos aumentaram. ela que diminuiu um pouco para também caber na caixinha. agora, aí está ela. olhando a estrada como quem espera. é que no meio do caminho o peito dela se encheu de ar e não saiu num suspiro. ele está lá, deixando o pequeno peito inflado, como de uma passarinha. e ela está esperando pra ver se ele sai na forma de suspiro. e as pernas pequenas com saudades do sol reclamam impacientes. as mãozinhas cruzadas sobre o peito repousam pacientes. até que o suspiro sai. e volta. sai. e volta. sai. e volta. - peito de passarinha, meu Deus? - peito de passarinha, amelie! e foi, então, as asas, o céu, a malinha e os sonhos.[Fernanda]
sexta-feira, 23 de julho de 2010
um sonho quase vagabundo
domingo, 4 de julho de 2010
ela, pequenina demais para se esconder?
um filhotinho ainda, de asas peladas, de bico aberto,
barulhento, agitado, num ninho quentinho tão fora do mundo...
lá no alto de uma árvore densa
de onde ninguém a distingue no meio de tantos cantos roucos.
[...]pobre filhotinho esfomeado de olhos rasgados pousados no céu [...]
um filhotinho ainda, de asas peladas, de bico aberto,
barulhento, agitado, num ninho quentinho tão fora do mundo...
lá no alto de uma árvore densa
de onde ninguém a distingue no meio de tantos cantos roucos.
[...]pobre filhotinho esfomeado de olhos rasgados pousados no céu [...]
sexta-feira, 28 de maio de 2010

a chave
encontrei-a ao abrir a gaveta
era dourada, antiga, bonita
- parecida com a que vi na mão da Alice
[a do país das maravilhas]
não era minha
mas acho também que não era de ninguém
e, no meio de tantas coisas sem sentido
ela parecia a única com sentido
o sentido de pertencer a uma porta de um lugar qualquer
[que não era aquele lugar]
e eu imaginei de onde aquela chave - bonita, dourada, antiga,
com um pequeno formato de coração [juro]- viera
e eu quis carregá-la comigo
dar-lhe um nome bonito
chamá-la minha e colocá-la no meio de outras relíquias
eu teria feito isso (se a visse triste)
mas ela brilhava dourada, bonita, antiga
no seu fabuloso destino de chave - o de pertencer.
[Fernanda - 27/05/2010 18:37)
domingo, 11 de abril de 2010
eu, o vagalume e a gaita.
ela foi minha companheira durante a noite.
ela e ele.
eu puxava o ar de dentro dela
e deixava livre todos os meus suspiros.
e o que era saudade, amor,
ela transformava, decodificava naquele solitário som que invadia o quarto escuro.
ele, meu companheiro de sempre: o vagalume do meu quarto, do quarto do meu irmão, da cozinha;
ele sempre lá.
e agora, ele fluorescia mais ao som de minha nova companheira não imaginária.
estávamos os três, tão unidos em algo invisível, tão amantes e queridos que,
novamente, eu acendi a luz, peguei minha máquina de escrever,
bebi o café com espuma de minha mãe
e vim aqui deixar a febre do dia.
um dia de amizade: eu, o vagalume e a gaita.
[Fernanda]
quarta-feira, 31 de março de 2010
Um soneto, Chico?
" Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio "
[Soneto, Chico Buarque]
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio "
[Soneto, Chico Buarque]
terça-feira, 9 de março de 2010
um sonho bom

durante as tardes, sozinha com a mãe,
sentada no chão, ela pensava:
é subir no sofá, bater os braços bem rapidinho mesmo
e voar.
nada daquela coisa de capas e super heróis.
fernandinha acreditava mesmo nos passarinhos.
e se depressa se encontrava no chão,
ela voltava:
sofá, pular, bater os braços rapidinho
sofá, pular, bater os braços rapidinho
sofá, pular, bater os braços rapidinho
(...)
e me vem o riso lembrando dela dizendo à mãe:
tem que bater o braço mais rapidinho pra voar que nem passarinho.
[Fernanda]
domingo, 28 de fevereiro de 2010
um pensamento pela manhã

então, os passos dele são reconhecidos por mim desde a hora que a porta abre, mesmo sendo uma porta de vários.
e, num instante súbito de vários pensamentos encontrados, eu sinto falta, amor, dor, sede...invadindo-me todos estes até que aquele som ritmado cesse à altura de minha sombra e curva teu corpo sobre o meu e beija-me os ombros.
e, num instante súbito de vários pensamentos encontrados, eu me sinto sua, irremediavelmente sua, indivisivelmente sua.
[Fernanda - 24/02/2010]
*no desenho, Mallu e Camelo.
sábado, 19 de dezembro de 2009
nota pessoal
domingo, 6 de dezembro de 2009
debaixo de céus blues
Pobre menininha dos olhos rasgados pousados no céu
Tem um blues zunido de abelha,
uma gaita imaginária e
uma lágrima de luz que toca sua orelha
Um assobio lá longe que te acompanha
Num tom de sabiá da cor da laranjeira
A paz do tamanho do céu inteiro
Há flores do campo em suas mãos
Colhidas por ele.
ela tem cheiro de baunilha gravado no travesseiro.
Pobre menininha dos olhos rasgados pousados no céu,
que as mãos no teu peito agarra a vontade,
que a voz sem jeito canta saudade
lembrando vinicius, seu poeta, sua metade.
[Fernanda]
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
canção dos namoradinhos
quando ela pulou de dentro daquele foguete
que a levava só Deus sabe onde
ela caiu direto na cama dela
e seu namoradinho tocava leoni.
a voz dele era rouca e o sono dela pesado
ela disse ainda duas palavrinhas
antes de boa noite, namorado.
do meio do sono, ela acordou de repente
estava delirante, eu acho
mas ele disse fica comigo pra sempre
ela que sempre fala dormindo
disse que precisava ir embora
se arrastando devagarzinho
se armou de duas sacolas
ele a puxou pelo braço
ela bocejou mais um pouquinho
qual foi o sonho, pequena?
Acho que eu era um passarinho.
ele riu pra dentro e deu-lhe um beijinho
então volta, pequena
volta pro ninho...
[Fernanda]
que a levava só Deus sabe onde
ela caiu direto na cama dela
e seu namoradinho tocava leoni.
a voz dele era rouca e o sono dela pesado
ela disse ainda duas palavrinhas
antes de boa noite, namorado.
do meio do sono, ela acordou de repente
estava delirante, eu acho
mas ele disse fica comigo pra sempre
ela que sempre fala dormindo
disse que precisava ir embora
se arrastando devagarzinho
se armou de duas sacolas
ele a puxou pelo braço
ela bocejou mais um pouquinho
qual foi o sonho, pequena?
Acho que eu era um passarinho.
ele riu pra dentro e deu-lhe um beijinho
então volta, pequena
volta pro ninho...
[Fernanda]
terça-feira, 29 de setembro de 2009
. Rafa e ela .
mas os ninhos são assim mesmo -
protegidos do céu, protegidos da terra, cercados de asas
lugar dentro-fora do mundo,
que nem Rafa e ela sorrindo voltando pra casa.
[Fernanda]
protegidos do céu, protegidos da terra, cercados de asas
lugar dentro-fora do mundo,
que nem Rafa e ela sorrindo voltando pra casa.
[Fernanda]
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
joaninha
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